Outubro
(A Revolução Russa e a política continental)
Outubro
http://br.youtube.com/watch?v=HqkLaX_0Z9Q
(Sergei Eisenstein, 1927)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sergei_Eisenstein
A sucessão de eventos econômicos, por si só, não explica o advento do fascismo. A rigor, a persistente ameaça e a possibilidade da revolução social, especialmente após sua realização efetiva na Rússia de 1917, criaram uma conjuntura que era radicalmente nova e que, portanto, colocava a lógica política em um terreno em larga medida desconhecido, para todo o espectro de partidos existentes à época (algo particularmente complexo na Europa continental, dado a proximidade geográfica com a União Soviética).
Um exemplo das dificuldades e desafios, que o momento apresentava à intelecção, pode ser encontrado nas divisões internas existentes na esquerda, especialmente aquela motivada pelo diagnóstico feito pelos partidos comunistas - na altura já bastante influenciados por Moscou -, que apontavam como grande inimigo, não os nacional-socialistas, mas os partidos socialistas ou social-democratas. Deste modo, às vésperas da tomada do poder por Hitler, os partidos, no interior da esquerda, faziam guerra entre si, deixando correr solto o assalto fascista, quando não se apresentavam ativamente vitimados pelo delírio, de que poderiam se beneficiar de tal evento, em suas estratégias políticas.
(...) Assim, longe de iniciar outra rodada de revoluções sociais, como esperara a Internacional Comunista, a Depressão reduziu o movimento comunista fora da União Soviética a um estado de fraqueza sem precedentes. Isso se deveu, em certa medida, à política suicida do Comintern, que não apenas subestimou grandemente o perigo do nacional-socialismo na Alemanha, como seguiu uma linha de isolamento sectário que parece incrível em retrospecto, decidindo que seu principal inimigo era o trabalhismo de massa organizado dos partidos social-democratas e trabalhistas (descritos como social-fascistas). (...) (HOBSBAWN, 2003, p. 108)
No campo da direita, por outro lado, não surpreende que o medo de uma ascensão das classes trabalhadores funcionasse como elemento de conversão, da direita tradicional para o nacional-socialismo, especialmente porque este competia com os comunistas pela faculdade de conduzir politicamente as massas. Talvez não seja ilegítimo afirmar que a direita não nazista propenderia a apoiar politicamente as forças que se colocassem em reais condições de suplantar os comunistas e as forças da revolução social.



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