Nacionalismo e fascismo
No referente ao lado subjetivo, ao lado psíquico das pessoas, o nazismo insuflou desmesuradamente o narcisismo coletivo, ou, para falar simplesmente: o orgulho nacional. Os impulsos narcisistas dos indivíduos, aos quais o mundo endurecido prometida cada vez menos satisfação e que mesmo assim continuavam existindo ao mesmo tempo em que a civilização lhes oferecia tão pouco, encontraram uma satisfação substitutiva na identificação com o todo. (ADORNO, 1995, pp. 39-40)
O nacionalismo delirante, presente em grande parte das nações com pretensões imperiais é um dos antecedentes históricos do fascismo. Houve nesse terreno, diga-se de passagem, um a imbricação dos universos sócio-político e econômico – o chamado capitalismo monopolista – que foi enfaticamente evidenciado pela literatura. Ao se chamar atenção para este ponto, é fundamental não perder de vista, contudo, que nos desenvolvimentos de uma teoria do fascismo, o fenômeno nacionalista deve ser considerado como pertencente a uma área de fronteira, ou seja, derrama-se pelas vertentes objetivas do fenômeno, mas não pode deixar de ser considerada quando se analisa o aspecto subjetivo. Afinal de contas, muitas vezes, com fundamento neste nacionalismo extremo, intolerante, recorre-se ao genocídio, que não se explica sem um recurso direto e explícito ao aporte teórico associado à sócio-psicologia.
Já na Primeira Guerra Mundial os turcos – o assim chamado movimento turco jovem dirigido por Enver Pascha e Talaat Pascha – mandaram assassinar mais de um milhão de armênios. Importantes quadros militares e governamentais, embora, ao que tudo indica, soubessem do ocorrido, guardaram sigilo estrito. O genocídio tem suas raízes naquela ressurreição do nacionalismo agressor que vicejou em muitos países a partir do fim do século XIX. (ADORNO, 1995, p.120)



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