Morre o deputado Enéas Carneiro
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No dia 6 de maio de 2007 morreu Enéas Carneiro, o mais bem votado deputado da história política do Brasil; achievement obtido apesar do tempo ínfimo de que dispunha ao longo da propaganda eleitoral gratuita. Enéas, no entanto, era um “bordão” e um slogan, um refrão: “meu nome é Enéas”. Seu sucesso no certame eleitoral decorre exatamente da fórmula que escolheu e que tomou da própria linguagem publicitária, que sofre das mesmas pressões por concisão que acomete todo candidato anão. Mas o distinto candidato não era apenas um slogan; era igualmente uma imagem, quase uma foto, em que pese veiculada por um pequeno filme. Neste retrato capturou a inteligência na forma direta daquilo que é excêntrico e esquisito, estranho, bizarro; apropriou-se em caráter pessoal, portanto, do estereótipo do intelectual aéreo e etéreo, do sábio para consumo diretamente popular, o inteligente nos moldes das Casas Bahia. Na facilidade e no sintético do slogan e do refrão do tipo “havaianas, as legítimas”; na ambigüidade a que conduziu o atributo de sua pretensa inteligência - positiva para aqueles que se queriam fazer representar por um “homem culto”; negativa para aqueles que procuravam um objeto de escárnio, a fim de depositar o próprio ressentimento contra os intelectuais - Enéas Carneiro realizou a política no seu sentido mais escancaradamente perverso: a forma publicitária como paroxismo. O seu programa - obviamente reacionário, virulentamente nacionalista, organicista, recheado de pérolas, como o estímulo à fabricação da bomba atômica brasileira, forma a um tempo concentrada e sintética de requisição de respeito, no cenário da política internacional - por pior que fosse, não equivalia em vilania à potência dos elementos formais e subliminares de que se valia para angariar votos. Esta é a história de seu sucesso:
Médico cardiologista, Enéas Carneiro nasceu em 1938, em Rio Branco, no Acre. Ele era filho de um barbeiro e uma dona de casa. Aos 9 anos perdeu o pai e começou a trabalhar para ajudar a família. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou a Escola de Saúde do Exército e, em 1959, graduou-se como terceiro-sargento auxiliar de anestesia.
Deixou o Exército em 1965 e, no mesmo ano, formou-se na Faculdade Fluminense de Medicina, com especialização em cardiologia. Em 1989 decidiu ingressar na carreira política por insistência da mulher, segundo o próprio Enéas, que afirmava que a companheira estava saturada de ouvir o marido reclamar dos políticos e da situação do País.
Em 1989, fundou o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona). Com apenas 17 segundos na TV criou o bordão que lhe renderia 360 mil votos na eleição presidencial do mesmo ano.
Na campanha, defendia a construção da bomba nuclear brasileira, o aumento do efetivo militar do País e outras bandeiras nacionalistas, de acordo com a Agência Câmara. Enéas apresentava-se como um político radicalmente contrário ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo.
Em 1994, com pouco mais de um minuto na TV, Enéas ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, com 4,67 milhões de votos, perdendo apenas para os então candidatos no primeiro turno Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 1998, com 70 segundos na TV, Enéas conseguiu expor algumas de suas idéias nacionalistas, como a defesa da fabricação "pacífica" da bomba atômica para que o Brasil fosse "mais respeitado". Contudo, não conseguiu manter o bom desempenho da eleição anterior e terminou o pleito em quarto lugar, com 1,4 milhão de votos.
Logo após sua votação recorde para deputado federal em 2002, que garantiu vaga no Congresso para outros cinco deputados de seu partido, Enéas foi acusado pela Justiça Eleitoral de São Paulo de promover a venda de legenda a candidatos.
Nas eleições de 2006, já debilitado, foi reeleito deputado, cargo que exercia até o agravamento da doença.
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1596231-EI7896,00.html
Com agências
Redação Terra



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