Cinema da Cidade

(Exercícios Benjaminianos)



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Índice
(Ato I)

Hotel Ruanda

(A especificidade política do fascismo)

Soluções regressivas, intolerantes e bárbaras não são de modo algum fenômenos modernos e nem mesmo univocamente associáveis à sociedade capitalista, ainda que nesta formação social as escalas com que se praticou o morticínio, em que se dizimaram populações civis - em guerras que se propuseram e se realizaram como conflitos totais, com metas totais e que acabaram por se apropriar da própria lógica industrial, mobilizando a ciência e a tecnologia para seus fins -, tenham atingido proporções desconhecidas da história humana. As guerras religiosas que envolveram a Europa, desde o advento das Cruzadas, por exemplo, podem ser caracterizadas como fenômenos de intolerância, que produziram suas próprias barbáries, ainda que em escala menor. Estavam presentes lá, como se encontram no fascismo e na intolerância contemporânea, uma certa percepção de um grupo de pertinência (in group) e aquele a que se opõe e, do mesmo modo, negava-se a este (out group) o estatuto de humanidade, o que legitimava de algum modo o assassínio em larga escala. 1

Hotel Ruanda

(Terry George, 2004)

http://movies.yahoo.com/movie/contributor/1800282503/bio

Ainda assim, em que pese a semelhança presente na dinâmica estabelecida entre a comunidade de pertinência com os grupos dela distintos e opostos (o outro, a alteridade), o fascismo deve ser entendido como um fenômeno específico da sociedade industrial porque ele pressupõe, em larga medida, a presença de um elemento radicalmente novo do ponto de vista histórico: o indivíduo, nesta pureza indeterminada, segregada e dissociada, com que ele se apresenta na sociedade moderna. Mais ainda, o fascismo pressupõe que a política envolva as massas e que estas, de algum modo, sejam mobilizadas para a luta política. O fascismo como fenômeno exige, portanto, que a noção de cidadania, de pertencimento à polis, tenha avançado suficientemente para incluir a quase totalidade da população pertinente ao Estado - é logicamente, portanto, um elemento e desenvolvimento da moderna democracia de massas. Daí porque, do ponto de vista da sócio-psicologia, o fascismo se apresente, em primeiro lugar, como um fenômeno de massa liderada - a qual se demonstrou estável no tempo e que buscou uma institucionalização correspondente, na forma da constituição de um regime coerente, sendo enquanto tal uma realidade pertinente, do ponto de vista histórico, apenas e tão somente à sociedade contemporânea.

O fascismo difere de muitas das formas clássicas de autoritarismo como, por exemplo, a tirania e a dominação oligárquica, exatamente porque requer as massas como ator privilegiado, ou seja, trata-se de um autoritarismo difuso, que conta ativamente com a participação de cada um dos seus membros, na realização de suas tarefas políticas. Ainda que não se possa de modo algum falar de democracia, pois o fascismo consiste e requer justamente a supressão de todas as liberdades democráticas para existir, não se pode deixar de considerar que está efetivamente em questão, quando se trata de fascismo, uma imposição da vontade da maioria ou, ao menos, de sua indiferença para com o “rumo das coisas”.

Hotel Ruanda

(Terry George, 2004)

http://cineplayers.com/perfil.php?id=11747

A grande diferença entre a direita fascista e não fascista era que o fascismo existia mobilizando massas de baixo para cima. Pertencia essencialmente à era da política democrática e popular que os reacionários tradicionais deploravam, e que os defensores do “Estado Orgânico” tentavam contornar. O fascismo rejubilava-se na mobilização das massas, e mantinha-a simbolicamente na forma de teatro público – os comícios de Nuremberg, as massas na piazza Venezia assistindo os gestos de Mussolini lá em cima na sacada – mesmo quando chegava ao poder; como o faziam também os movimentos comunistas. (...) (HOBSBAWN, 2003, p. 121)

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Kassab quer contrato para morador de rua

Proposta do prefeito é aumentar rigor em albergues e obrigar usuários a freqüentar cursos e até a tomar banho
Idéia importada dos EUA é criticada por líderes, para quem as exigências só vão afugentar a população dos serviços de atendimento

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0212200712.htm

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1 As sociedades que contemporaneamente se organizaram sob a forma de estados teocráticos e mesmo os movimentos que pretendem implementar regimes de tal natureza precisariam ser estudados, para uma correta compreensão de sua natureza. A princípio parece que eles envolvem uma revolta contra a modernidade - ou, alternativamente, contra aquilo que entendem ser os valores ocidentais -, mas existe uma clara identificação de out groups, o que dá margem, em alguns casos, a práticas de limpeza étnica. As hipóteses da psicologia social parecem permanecer válidas, quando se trata de compreender a dinâmica básica do movimento de massas envolvido neste caso.

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